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quarta-feira, 6 de junho de 2012
Pesquisa mostra relação entre idosos e porteiros, sempre solícitos
O país de jovens está envelhecendo. Em duas décadas, a expectativa de vida dos idosos aumentou quase 11 anos no Brasil, segundo projeções do IBGE. Até 2050, as pessoas com mais de 60 anos devem representar 30% da população brasileira. Sinal de que um importante elo de amizade vai ter vida longa: a que une os idodos e os porteiros de edifício, que são seus confidentes e até anjos da guarda, como constatou a pesquisa Idosos de Copacabana, concluída recentemente pela Bradesco Seguros e Previdência.
O levantamento ouviu quatro grupos no bairro da Zona Sul carioca – dois de pessoas com idades entre 70 e 85 anos, que moram sozinhas ou com a família, um de porteiros e outro de síndicos de prédios.
Carregar uma sacola, chamar um táxi, segurar a porta do elevador são pequenos gestos comparados à forte amizade que estes fieis escudeiros são capazes de oferecer. O zelador Tomé Campos Machado, 50 anos, conquistou a simpatia de quem passou dos 70 no prédio 18 da Rua Santa Clara. Ele conheceu Dona Edith Conde, 95, aos poucos. Entre abrir e fechar portas e fazer pequenos consertos na casa dela, Tomé e Edith constuiram uma amizade que já atingiu a maioridade: há mais de 18 anos, ela conta com o braço amigo.
– Quando minha filha viajou, ele veio me acolher. Todo mundo aqui do prédio o considera da família, mais do que porteiro. É um exemplo de homem, sempre muito dedicado – emociona-se Edith.
A aposentada conta que até sua bisneta de dois anos, Eduarda, chama “Seu Tomé!” quando precisa de ajuda, para, por exemplo, abrir a tampa de uma garrafa. O porteiro se orgulha. – Gosto de me sentir útil. Basta interfonar que eu venho.
Salva vidas
De acordo com a pesquisa, o porteiro é alguém que está sempre presente, principalmente em momentos de tensão. Elma Guimarães, 74 anos, viveu essa situação quando ficou presa no elevador de seu prédio. A primeira reação foi gritar pelo porteiro Bruno Silva, antes mesmo de apertar o botão de emergência. Em poucos minutos, estava salva, no colo de Bruno.
– Ele estava tirando o lixo e parou tudo para me tirar do elevador. É muito cuidadoso, e eu reconheço – no Natal, entrego R$ 100 para cada um, de gratificação.
Bruno acha graça:
– Como muito mocotó para carregá-las. Há dois meses, Elma deixou o prédio 75 da Rua Belfort Roxo, mas ainda visita o amigo.
– No meu prédio novo os porteiros também são gentis, mas fico com saudades dos daqui – diz a aposentada, que preferiu morar perto dos filhos.
Na praça do Bairro Peixoto, Isabel de Almeida, 82, aproveita o sol com sua acompanhante, mas não esquece de outra pessoa: Severino, o zelador.
– Antes que eu chegue em casa, ele já vai para a porta me esperar. É muito prestativo.
Barbara Rossi mora em Fortaleza, mas uma vez por ano vem visitar os filhos em Copacabana. Em seu condomínio cearense, moram 280 famílias. Lá, ela sente falta de um porteiro com quem possa conversar. Por isso, quando vem ao Rio, pega emprestado Antônio Augusto do Nascimento, um pernambucano que cuida dela quando os filhos saem de casa. Como isso acontece com frequência, o porteiro tem medo que a esposa, faxineira do prédio, sinta ciúmes.
– Trato os outros como gosto de ser tratado. Não saio de casa à noite com medo de que algum morador esteja sem a chave e fique preso fora de casa – conta.
Antônio já ouviu de moradores que eles só admitem se mudar do prédio se ele for junto. Até carta de recomendação do Corpo de Bombeiros de Copacabana ele já recebeu, por evitar um incêndio, no ano passado.
– Vi a fumaça saindo do quarto andar. Tomei um banho com a mangueira do prédio antes de entrar no apartamento para tentar salvar quem estava lá. Quando os bombeiros chegaram, o fogo já estava apagado. Só não sei fazer chover, o resto eu sei – brinca.
A pesquisa também revelou que os porteiros apreciam a relação cordial e amistosa com os moradores idosos. A vitalidade e a experiência de vida chamam a atenção dos funcionários. Antônio concorda:
– Vivo à disposição deles. Seja para quebrar um galho ou conversar. Eles me enriquecem.
Com base nesses dados, a Bradesco Seguros e Previdência lançou o Programa de Aperfeiçoamento Profissional de Porteiros de Condomínios. O projeto, em parceria com condomínios e síndicos, visa capacitar os profissionais das portarias para entender e servir melhor os moradores que chegam a essa etapa da vida.
Inversão de papéis na relação entre mãe e filho
Outro dado apurado na pesquisa foi a ligação entre filhos e pais idosos. Todos os dias, a movimentação na vida de Maria Nazaré Fernandes Doria, 88 anos, começa cedo: 9h é quando vai para a praça do Bairro Peixoto passear com um dos três filhos. Só sai de lá ao meio dia, quando “o sol fica muito forte”.
Na tarde de quinta-feira, Maria Nazaré saiu com o caçula, Hugo Fernandes Doria, depois de um almoço e compras no shopping.
– Gosto de me ocupar, botar os pés no chão, sair do estresse – diz Maria Nazaré.
Hugo Doria já sente, aos 58 anos, a inversão de papéis na relação de dependência com a mãe.
– Meus irmãos não querem que ela lave louça, mas, se ela faz por prazer e não por obrigação, temos que deixar. Ela nos criou e agora temos que criá-la. É uma relação diferente, mas aprendemos todos os dias – afirma.
Assim como a aposentada, muitas mulheres da terceira idade aproveitam o maior tempo livre para buscar novas atividades que tragam satisfação pessoal, como observa um outro estudo, encomendado pelo Bradesco Seguros e Previdência, e realizada pelo Ibope Inteligência, em julho deste ano.
Para muitos idosos, viver é ter autonomia, já que, com doenças degenerativas, a tendência é que o número de pessoas que precisam de cuidadores cresça.
O estudo constatou que mulheres têm mais facilidade para desfrutar dessa fase da vida do que os homens. Enquanto eles desenvolvem menos atividades, pois carregam uma certa sensação de inutilidade, elas tendem a se sentir livres, com a sensação de dever cumpridos. Para surpresa de muita gente, as mulheres aceitam melhor o peso da idade.
– Sinto que tenho mais energia do que meus vizinhos idosos. Eles quase não saem de casa. Reclamam de solidão e da saúde, mas não fazem nada para mudar a situação.
Fonte: Jornal do Brasil - Por Fernanda Malta
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